quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Venha o diabo e escolha. Será?

Os portugueses são muitas vezes acusados de terem incentivado e praticado, durante os descobrimentos e as colonizações, um conjunto de comportamentos que, estando assentes numa forma de pensar racista, podem ser considerados de medonhos, de perversos e de bárbaros aos olhos da humanidade, uma vez que, por um lado, desvalorizaram e assassinaram massas populacionais e, por outro, desenvolveram a escravatura humana como comércio rentável. Contudo, importa referir, e sem querer camuflar as crueldades cometidas, que as outras nações que participaram na colonização de novos territórios tiveram comportamentos do género ou até mais degradantes, e que o tráfico negreiro seria, não só, para servir Portugal, mas também vários países da Europa.

Isto para dizer que a colonização britânica no início do século XIX considerou a população aborígene da Tasmânia de raça inferior por não dominar o fogo e não produzir armas de fogo. Mas, para além disso, determinaram uma limpeza étnica do povo com o objectivo de evitar a contaminação da humanidade por uma raça supostamente diminuta. Nesse seguimento, procederam à limpeza étnica como se de animais se tratasse, uma vez que os locais foram literalmente caçados como animais e, vejam lá..., a sua pele foi usada para produzir couro. Como se não bastasse este conjunto de atrocidades e dos inúmeros aborígenes que morreram por contaminação, muitos foram esterilizados. Depois desta carnificina, o objectivo britânico foi finalmente concretizado em 1876 com a morte do último aborígene de sangue puramente tasmaniano (Truganini). Isto, caros amigos, no século XIX.


P.S.: Este artigo resultou de uma pesquisa posterior à leitura de um artigo sobre os países com menos carga fiscal sobre os cidadãos, estando, entre esses, Vanuatu - estado insular da Melanésia -. Nessa “descoberta”, ou nesse processo, entendo serem incríveis duas coisas:
1- Muitos portugueses, numa oportuna comparação, devem desejar a mesma carga fiscal (talvez se perceba pela quantidade de “índios” no território nacional;
2- O primeiro ocidental a pisar este território foi o português Pedro Queirós em 1606 – muitos antes do explorador francês Louis Bougainville que as redescobriu em 1768 -.

6 comentários:

  1. Curioso o ditado que refere que a História reescreve-se ao longo do tempo. Não é preciso ser um ''barra'' a História para perceber que ao longo da sua presença na Terra, o homem (escrevo minúculo propositadamente)sempre sentiu a necessidade de eliminar as suas ameaças directas, fossem eles animais ou os da sua especie...Muitos dos que criticam a ocupação Nazi, os estados ditatoriais europeus do século passado e as mais conhecidas eliminações em massa com base na etnia, permitem que ainda hoje isso aconteça, se assim não fosse não haveria uma publicação recente, no Viela, acerca da Queima de Cristãos em África. Desperdiçam-se recursos económicos em guerras por recursos naturais, interesses politicos, interesses oligárquicos, mas não se é capaz de estender uma mão áqueles que combatem com as enchadas do campo metralhadoras, entre outras máquinas bélicas. A ideia de supremacia e um espirito egocêntrico será o fim de uma espécie que se denominou inteligente, mas disso pouco tem.

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  2. minúsculo* (linha3); elas* (linha4);...que...(última linha)

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  3. http://aeiou.expresso.pt/primeira-ministra-australiana-atacada-por-aborigenes=f701667

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  4. Como já dizia o outro: se tens telhados de vidro, não atires pedras ao vizinho.

    Isto na Europa aplica-se lindamente. :)

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  5. O caso inglês é paradigmático: um país que se assumiu, em muitos casos, como o rosto da moral e a voz dos ofendidos, foi o mesmo que, em vários momentos da história, participou, colaborou e liderou actos nada abonatórios do humanismo!

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